quinta-feira, 22 de abril de 2010

Formas de Raciocínio Científico

Seguir-se-á a apresentação do pensamento de um grande pensador americano Charles Sanders Peirce (1839-1914), a referência é a coletânea de artigos publicada em português com título de Semiótica. Para Peirce, “Na ciência, há espécies fundamentalmente diferentes de raciocínio: Dedução, Indução e Retrodução. Além destas três, a Analogia combina as características da Indução e da Retrodução.”

· Dedução: é o estudo das relações existentes nas premissas, através da construção de um diagrama, pela dedução pode-se obter afirmações sobre as partes do diagrama, que sempre subsistiram mas não estavam especificadas, ou explicitadas diretamente nas premissas, ou hipóteses, e através da dedução conclui-se pela provável verdade dessas relações.

· Indução: neste modo de raciocínio adota-se uma conclusão como aproximada, já que a mesma surge de um método de inferência, que de um modo geral, deve conduzir a verdade. Porém deve ficar claro que tudo que a indução pode fazer é determinar o valor de uma relação. Neste caso, parte-se do particular para o geral. E o conhecimento obtido, não deve ser considerado como uma regra geral.

· Retrodução ou Abdução: em um determinado momento do processo científico adota-se provisoriamente uma hipótese em virtude de ser passível de verificação experimental, como também suas possíveis conseqüências, de tal modo que se pode esperar que a persistência na aplicação do mesmo método acabe por revelar seu desacordo com os fatos, se desacordo houver.

· Analogia: é uma forma mais comum de pensamento, imagine a interferência de que num conjunto não muito extenso de objetos. Se os objetos estão em concordância sob vários aspectos, pode-se chegar a conclusão de que provavelmente os objetos estejam em concordância também sob um outro aspecto.

Há uma proposta de como se fazer ciência colocada por Campello de Souza (2009). A apresentação segue exatamente as idéias de Charles Peirce. Porém, existe uma seqüência de como se deve dar a construção do raciocínio. Novamente, em Campello de Souza (2009) há dois mundos, um dito “real” e outro abstrato. O processo de abdução é colocado como ponto de partida para obter-se a formação dos construtos (hipóteses). O próximo passo da construção de ciência esquece as relações com o dito “mundo real”, e segue-se uma seqüência (proposição, lema, teorema, corolários) de resultados lógicos, obtidos preferencialmente pela matemática.

Após apresentadas às formas de raciocínio, pode-se comparar como se enquadra cada elemento da definição de teoria com os tipos de raciocínio. Uma dedução é um movimento de um construto, através da linha simples da esquerda para direita na Figura apresentada no texto “O Que é Teoria?”. Os construtos à esquerda têm a característica de serem abstratos, gerais e poderosos. As proposições que são resultantes servirão como premissas para obtenção de teoremas.

O processo de abdução é colocado como ponto de partida para obter-se a formação dos construtos (hipóteses). O próximo passo da construção de ciência esquece as relações com o dito “mundo real”, e segue-se uma seqüência (proposição, lema, teorema, corolários) de resultados lógicos, obtidos preferencialmente pela matemática. Após a dedução desses resultados, parte-se para a verificação (ou refutação) dos mesmos novamente no “mundo real”. A definição do que vêm a ser teoria dada por Margenau e de como se constrói ciência não são muito diferentes. Na verdade, a proposta de Campello é bem mais geral. Porém pode-se ainda deixar mais claro que o uso de certos métodos usados na percepção histórico-estrutural está presentes neste processo. O processo de abdução pode ser feito inicialmente por métodos propostos pela escola histórico-estruturalista. Uma questão, ainda não muito clara, é como se dar o processo de indução. Quando se fala em teoria e suas relações de correspondência entre os campos ficam-se claro a necessidade de se medir se as relações tem sentido é exatamente o processo de indução. Porém, não se deve pensar em formas restritas de se fazer essa medida. É evidente que o modelo de inferência estatística, teste de hipóteses, conhecido como a Teoria de Neymann-Pearson é o mais usual por sua concepção ser exatamente o que se espera para refutação de uma proposição científica. Apesar do mesmo não ter sido o proposto por Popper, mas é evidente que é o defendido na avaliação dos Projetos de Pesquisa Científica(PPC). O que não fica claro é que aspectos metodológicos desse processo de indução podem ser melhorados, um processo neste sentido foi proposto por Silva (2007) onde medidas de correlação entre duas variáveis são obtidas com poucos dados (observações). É necessário uma série de simulações para obtenção de estimativas melhores, podendo até se ter testes de hipóteses sobre a relação obtida no processo proposto.

Dentro do processo de construção de uma teoria, talvez, ainda não esteja claro o papel da matemática, não só como instrumento, mas também, como a linguagem própria para o desenvolvimento da ciência. Existe uma relação bastante particular entre a idéia de economizar e a construção da ciência.

Referências:

Campello de Souza, F. M. Probabilidade Estatística e Processos Estocásticos, 2009, v.1 em Fase de preparação.

Margenau, H. O que é uma teoria? Edições Multiplic, v.2, n.7. 1982. Original: “What is Theory?” Copyright 1953 by The University Chigaco. Tradução: Leonidas Hegenberg.

Silva, A. Alves. ESTUDO DO MODELO DE FAMÍLIAS DE DISTRIBUIÇÕES DE PROBABILIDADE BASEADO EM PROGRAMAÇÃO MATEMÁTICA. Tese de doutorado da Universidade Federal de Pernambuco (2007).

domingo, 11 de abril de 2010

O que é uma Teoria¹

O que é teoria é uma pergunta indigesta. Mas tenta-se ter uma visão pragmática aqui do pensamento científico. E segue-se a concepção de teoria apresentada por Margenau (1982). Outras referência gerais, sobre o que é teoria e como pode-se contruir uma teoria, em particular, uma teoria de probabilidade são Hegenberg (1973) e Fine (1973).

O ponto de partida é o gráfico abaixo apresentado em Margenau (1982)




Há dois mundos sendo ligados, vai-se dizer que um dos mundos corresponde aos fatos e chmar-se-á de campo (ou domínio) P. A esse campo observa-se as experiências (por exemplo, a sensação de calor, ou a satisfação de consumir um bem) esse fato é subjetivo, porém o correspondente, pertecente ao campo C é de caráter objetivo. Os conceitos associados aos fatos P são inventados pelo homem. É fato que fica a cargo da ciência desenvolver regras para a ligação entre um dado P para sua contraparte C. Os elementos de C são construtos.

Uma teoria é um complexo de construtos (representados por círculos) ligados por relações lógicas (segmnetos retilíneos). Há regras de correspondência, que na atividade científicam gerakmente equeparem-se a procedimentos de mensuração, as regras de correspondência são representadas por linhas duplas e são elas que ligam os construtos ao domínio P.

As linhas simples, unindo os círculos, retratam relações lógicas (ou matemáticas) vigentes entre os construtos. Dessa forma, uma teoria é um complexo de círculos e linhas duplas que os ligam ao domínio P.